
{"id":110,"date":"2012-08-25T16:12:37","date_gmt":"2012-08-25T19:12:37","guid":{"rendered":"http:\/\/saapblog.wordpress.com\/?p=110"},"modified":"2012-08-25T16:12:37","modified_gmt":"2012-08-25T19:12:37","slug":"alto-dos-pinheiros-dos-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/alto-dos-pinheiros-dos-sonhos\/","title":{"rendered":"Alto dos Pinheiros dos sonhos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entrevista com Paulo Bastos<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><em>Jornalista Jos\u00e9 Augusto de Aguiar Costa\u00a0<\/em><\/p>\n<p align=\"left\">Arquiteto e urbanista de renome paulistano, Paulo Bastos foi morador do Alto dos Pinheiros desde 1972. Apaixonado pelo bairro que escolheu para viver e construir sua fam\u00edlia (nasceu no Br\u00e1s, onde passou a inf\u00e2ncia), Paulo \u00e9 um de seus maiores defensores. Participou da diretoria da SAAP desde os anos 80.<br \/>\nPreservar o verde, a tranq\u00fcilidade amea\u00e7ada (pelo tr\u00e1fego de passagem de ve\u00edculos crescente), a seguran\u00e7a e a beleza do bairro sempre foram suas grandes preocupa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, ele deseja tamb\u00e9m resgatar o um pouco esquecido mas essencial conv\u00edvio entre os moradores. O relacionamento humano que persiste forte, por exemplo, em lugares como as pra\u00e7as Conde de Barcellos e do P\u00f4r-do-Sol e que ganhou grande alento quando surgiu o Parque Villa Lobos, na d\u00e9cada passada.<br \/>\nUma longa conversa, no escrit\u00f3rio do arquiteto em Pinheiros, resultou numa ampla an\u00e1lise sobre a miss\u00e3o da\u00a0<strong>SAAP<\/strong>, a hist\u00f3ria do bairro e um verdadeiro depoimento de amor ao Alto dos Pinheiros e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div id=\"attachment_121\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/localhost\/saap\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos.jpg?w=213\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-121\" class=\"size-medium wp-image-121  \" alt=\"Foto: Arquiteto Paulo Bastos e Associados \" src=\"http:\/\/localhost\/saap\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos.jpg?w=213\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos.jpg 1979w, https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos-213x300.jpg 213w, https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos-768x1080.jpg 768w, https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/paulo-bastos-728x1024.jpg 728w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-121\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquiteto Paulo Bastos e Associados<\/p><\/div>\n<p align=\"justify\"><strong>Como nasceu o Alto dos Pinheiros?<\/strong><br \/>\nO Alto dos Pinheiros \u00e9 um vale, rodeado por toda uma encosta que desce da regi\u00e3o da rua Cerro Cor\u00e1. O nome \u00e9 referente \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o natural que cobria a regi\u00e3o. T\u00ednhamos aqui um mar de \u00e1rvores arauc\u00e1rias, os pinheiros. Nascemos como um bairro verde, assim como os Jardins, o Pacaembu e a Lapa, criado com restri\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas (ocupa\u00e7\u00e3o de 50% do lote mais 50% de \u00e1rea perme\u00e1vel e jardim; al\u00e9m de cal\u00e7adas verdes e canteiros) pela empresa inglesa City Improvement. O bairro foi projetado pelo urbanista ingl\u00eas Barry Parker, criador das cidades jardins em seu pa\u00eds.<br \/>\n<strong><br \/>\nQual a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o do AP para a cidade?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de funcionar como um pulm\u00e3o verde da cidade, o estudo de uma ge\u00f3grafa da USP sobre as ilhas de calor sobre S\u00e3o Paulo mostra que nos bairros verdes esses fen\u00f4menos (causados pela grande absor\u00e7\u00e3o e irradia\u00e7\u00e3o de calor em \u00e1reas com muito cimento e pouco verde, como o Centro) n\u00e3o acontecem. Isso faz com que bairros como o nosso sejam um importante fator de equil\u00edbrio no clima da cidade. As temperaturas m\u00e9dias nos bairros verdes s\u00e3o entre 3 a 4 graus menores que as do centro da cidade.<br \/>\nOutro benef\u00edcio das manchas verdes, com muitas \u00e1rvores, \u00e9 o retorno dos p\u00e1ssaros a S\u00e3o Paulo. Na minha adolesc\u00eancia s\u00f3 tinha pardal e pomba; hoje tem sabi\u00e1, bem-te-vi, tiziu, beija-flor, p\u00e1ssaro preto, at\u00e9 coruja. \u00c9 a biodiversidade criada pelo ecossistema urbano.<br \/>\n<strong><br \/>\nPor que a SAAP foi criada?<\/strong><br \/>\nA SAAP nasceu para defender o bairro das tentativas de mudan\u00e7as na lei de zoneamento (promulgada em 1972). Queriam alterar a caracter\u00edstica de Z-1 (zona estritamente residencial) que predominava aqui e exigia a constru\u00e7\u00e3o de casas para fam\u00edlias.<br \/>\nPor isso a SAAP foi formada (1977), lutou e ganhou esse primeiro combate em defesa da manuten\u00e7\u00e3o da Z-1. Depois, por muitos anos n\u00e3o tivemos pelo que lutar, at\u00e9 voltar na Prefeitura (durante a gest\u00e3o Erundina) a discuss\u00e3o sobre mudan\u00e7as no Plano Diretor de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nNos rearticulamos tamb\u00e9m, no in\u00edcio dos anos 90, para enfrentar os crescentes casos de usos irregulares: os neg\u00f3cios que surgiam em casas que n\u00e3o eram compat\u00edveis com as caracter\u00edsticas de Z-1. Fizemos ent\u00e3o v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra esses estabelecimentos ilegais, mas a Regional Pinheiros foi por muito tempo tomada pela propina e aprova\u00e7\u00f5es generalizadas. Mesmo assim, seguimos lutando e come\u00e7amos a ganhar muitas a\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong><br \/>\nQuais as a\u00e7\u00f5es not\u00f3rias ganhas pela SAAP?<\/strong><br \/>\nForam muitas. Lembro da escolinha que tiramos da esquina da Av. Professor Fonseca Rodrigues com a Pra\u00e7a Pero Vaz de Caminha; o fechamento da sorveteria Brunella (perto da Pra\u00e7a Panamericana), de uma cl\u00ednica na esquina da Di\u00f3genes Ribeiro de Lima com a Dona Elisa Moraes Mendes, entre outras.<br \/>\nEssas vit\u00f3rias estimularam os moradores a denunciarem outros usos fora da lei. E as vit\u00f3rias deram respeito \u00e0 SAAP. Os ilegais come\u00e7aram a ficar com medo, \u00b4porque eles defendem o bairro mesmo\u00b4, falavam da gente.<\/p>\n<p><strong>Por que a Avenida Pedroso de Morais ficou um pouco fora dessa luta?<\/strong><br \/>\nNa Pedroso de Morais, a maioria das grandes casas j\u00e1 funcionava como uso irregular, s\u00f3 que como servi\u00e7os (escrit\u00f3rios). Essa utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o perturba muito. \u00c9 diferente, por exemplo, de uma alameda Gabriel Monteiro da Silva, que pela lei de zoneamento \u00e9 um corredor de servi\u00e7os. S\u00f3 que eles transformaram em com\u00e9rcio. Ali eles cortaram as \u00e1rvores para colocar seus outdoors e placas de sinaliza\u00e7\u00e3o; e pavimentaram as cal\u00e7adas e o recuo de frente para servir de estacionamento aos clientes, acabando com a \u00e1rea perme\u00e1vel e com a vegeta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHoje, outra \u00e1rea atacada pelo uso irregular \u00e9 a Di\u00f3genes Ribeiro de Lima.<\/p>\n<p><strong>O que a SAAP vem fazendo para conter a deteriora\u00e7\u00e3o dessa avenida, uma das art\u00e9rias principais do bairro?<br \/>\n<\/strong>Alguns propriet\u00e1rios da Di\u00f3genes querem transform\u00e1-la em corredor comercial. S\u00f3 que para isso acontecer a City tem que concordar. \u00c9 essa empresa, que criou o bairro e tem a escritura das propriedades nele instaladas, que deve anuir com qualquer modifica\u00e7\u00e3o estrutural no Alto dos Pinheiros. Na \u00e9poca em que se respeitava a Z-1 no bairro, a City ficou meio afastada, deixou a observa\u00e7\u00e3o da lei a cargo da Prefeitura, mas agora eles retomaram o controle desse processo em virtude dos abusos cometidos.<\/p>\n<p><strong>Outra defesa da SAAP refere-se \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego de ve\u00edculos pelo bairro. Como surgiu o problema do tr\u00e2nsito ruim nas horas de rush?<br \/>\n<\/strong>No in\u00edcio dos anos 70, com a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Cidade Universit\u00e1ria, o bairro come\u00e7ou a ser cortado por dois eixos de tr\u00e1fego: essa nova ponte, fazendo a liga\u00e7\u00e3o com o Butantan e Morumbi; e o eixo em dire\u00e7\u00e3o ao Ceagesp. Com o passar do tempo, come\u00e7amos a ficar ilhados pelos congestionamentos causados pelos ve\u00edculos que fogem dessas art\u00e9rias entupidas (como a Marginal Pinheiros). S\u00f3 que nossas ruas n\u00e3o s\u00e3o feitas para isso. S\u00e3o estreitas e n\u00e3o suportam tr\u00e1fego pesado, pois o solo original aqui \u00e9 fr\u00e1gil, de turfa da v\u00e1rzea do Rio Pinheiros. E o n\u00famero de ve\u00edculos circulando aumentou ainda mais com a constru\u00e7\u00e3o da Nova Faria Lima, criando um outro eixo vi\u00e1rio (que vem l\u00e1 de Santo Amaro, Itaim e Brooklyn) cortando nosso bairro.<\/p>\n<p align=\"justify\">O problema \u00e9 que a luta contra o tr\u00e1fego \u00e9 dif\u00edcil porque a CET desenha a cidade como quer. Para eles, qualquer rua \u00e9 boa, n\u00e3o importa se elas s\u00e3o destru\u00eddas. O que importa \u00e9 o tr\u00e1fego fluir. Isso \u00e9 decorrente da vis\u00e3o rodoviarista, que privilegia os carros em detrimento do transporte coletivo. Como esse transporte \u00e9 ruim e insuficiente, a cidade virou um caos, tornando-se um modelo insano de transporte.<\/p>\n<p align=\"justify\">Paulo aponta os corredores (desde que bem planejados) e o metr\u00f4 como a solu\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia e urgente pare melhorar o transporte coletivo e aliviar o tr\u00e1fego. E ainda conta como S\u00e3o Paulo, por pura falta de vis\u00e3o de um prefeito antigo, perdeu a chance de se transformar numa cidade moderna h\u00e1 quase 100 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na virada dos anos 20 para os 30 do s\u00e9culo passado, o prefeito Prestes Maia recusou proposta da Light (empresa canadense) que queria substituir os bondes pelo metr\u00f4. Isso nos anos 20! A mesma proposta foi aceita pelos argentinos em Buenos Aires, que hoje tem uma bela e eficiente rede metrovi\u00e1ria. Enquanto isso, n\u00f3s s\u00f3 temos irris\u00f3rios 70 km em pleno s\u00e9culo XXI. Ter\u00edamos que ter 400 km para comportar o transporte de tanta gente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com as atuais linhas em constru\u00e7\u00e3o, a rede de metr\u00f4 deve chegar a 150 km, extens\u00e3o que vai apenas aliviar um pouco os n\u00fameros quase surreais dos congestionamentos na cidade, que acontecem todo dia de semana.<\/p>\n<p><strong>A SAAP, h\u00e1 algum tempo, se notabilizou tamb\u00e9m por discutir quest\u00f5es mais amplas, referentes \u00e0 cidade como um todo. Como nasceu essa preocupa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFicou claro para n\u00f3s que mexer em um lugar ocasiona um reflexo em toda a cidade. Por isso a SAAP passou a participar das reuni\u00f5es e debates na C\u00e2mara e Administra\u00e7\u00e3o Regional de Pinheiros (hoje, Subrefeitura). E fomos al\u00e9m, organizando semin\u00e1rios como o de Meio-Ambiente e da Seguran\u00e7a.<br \/>\n<strong><br \/>\nA seguran\u00e7a \u00e9 uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es do moradores do bairro. Como a SAAP pensa o assunto?<\/strong><br \/>\nO Projeto dos Bols\u00f5es (fechamento de algumas ruas para impedir o tr\u00e1fego de passagem, de ve\u00edculos de pessoas que n\u00e3o moram no bairro) ajudaria bastante a melhorar a seguran\u00e7a (seria mais f\u00e1cil controlar as pessoas que circulam pelo bairro). O projeto foi elogiado pelas pol\u00edcias militar e civil, mas infelizmente ainda n\u00e3o foi aprovado.<\/p>\n<p><strong>Como anda o processo de implanta\u00e7\u00e3o dos bols\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu fiz para a SAAP, gratuitamente, o projeto dos bols\u00f5es. Queria aproveitar a lei da Erundina, que permitia o fechamento de ruas para o tr\u00e2nsito, impedindo o tr\u00e1fego de passagem pelo bairro. O projeto delimitou 6 bols\u00f5es. Contratamos uma empresa de engenharia de tr\u00e1fego para avaliar o impacto nesse sentido e fizemos uma ampla consulta com os moradores.<br \/>\nPara apresentar o projeto t\u00ednhamos que ter maioria simples dos moradores de cada bols\u00e3o. Conseguimos em dois deles, mas ocorreu uma rea\u00e7\u00e3o descabida dos lindeiros (moradores dos bairros vizinhos) afirmando que o bols\u00e3o \u00e9 coisa elitista de quem deseja fechar o bairro. Mesmo assim, demos entrada na Prefeitura. Est\u00e1vamos esperando uma resposta quando, j\u00e1 na gest\u00e3o da Marta Suplicy, houve um ac\u00f3rd\u00e3o na C\u00e2mara para passar v\u00e1rios projetos de vereadores. Passou entre eles um projeto que alterava as caracter\u00edsticas dos bols\u00f5es. Modificaram a lei exigindo que 70% dos moradores do entorno (os lindeiros) aprovem o bols\u00e3o para ele ser criado.<br \/>\nMesmo depois dessa altera\u00e7\u00e3o absurda na lei, seguimos tentando retomar a discuss\u00e3o na Prefeitura. O pr\u00f3prio novo Plano Diretor da cidade fala em bols\u00f5es residenciais para evitar o tr\u00e2nsito de passagem.<\/p>\n<p><strong>Outra necessidade da SAAP \u00e9 uma maior participa\u00e7\u00e3o dos moradores. Falta tamb\u00e9m um maior compromisso de associar-se \u00e0 SAAP. O que pensa sobre esse problema?<\/strong><br \/>\nO que acontece hoje \u00e9 um refluxo de participa\u00e7\u00e3o e compromisso nas entidades em geral. A SAAP faz a parte dela, em defesa do bairro e da cidade, como mostra ao ser parceira do movimento Defenda S\u00e3o Paulo, da qual j\u00e1 fui vice-presidente. Hoje, n\u00f3s temos um grupo ativista em nossa associa\u00e7\u00e3o, mas temos dificuldades para fazer os moradores se mobilizarem. Uma das raz\u00f5es \u00e9 que as pessoas s\u00f3 brigam e se importam por coisas que os afetam diretamente, como a quest\u00e3o da seguran\u00e7a. Para n\u00e3o ficarmos s\u00f3 nisso, precisamos realizar atividades de car\u00e1ter social e cultural.<br \/>\nPrecisamos participar de eventos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e outros com as classes menos favorecidas. Outros eventos bem-vindos seriam os de socializa\u00e7\u00e3o do bairro, como caminhadas e passeios de bicicleta, que j\u00e1 fizemos algumas vezes. Mobiliza\u00e7\u00f5es para o plantio de \u00e1rvores, como as 400 arauc\u00e1rias que plantamos no canteiro central da avenida Professor Fonseca Rodrigues, tamb\u00e9m ajudam nesse processo, se a Regional n\u00e3o resolver passar o trator em cima como fez com essas mudas.<br \/>\nResgatar a hist\u00f3ria do bairro foi outra a\u00e7\u00e3o importante, com o museu do bairro que expomos em alguns pontos chaves do bairro.<\/p>\n<p><strong>Como mobilizar os moradores, se est\u00e3o cada vez mais fechados em suas casas? Como despertar a vontade de se conhecerem e participarem dessas a\u00e7\u00f5es de socializa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNasci no Br\u00e1s, a rua era o elemento b\u00e1sico de conv\u00edvio. O lugar da brincadeira, da bicicleta, dos jogos, das festas de rua como a junina. Tinha at\u00e9 festa de casamento na cal\u00e7ada, na tradi\u00e7\u00e3o italiana. E isso acontecia em muitos outros bairros. A cidade se tornou muito fechada com o passar dos anos, mas n\u00f3s temos que nos reunir n\u00e3o s\u00f3 para tratar de quest\u00f5es relativas \u00e0 seguran\u00e7a.<br \/>\nHoje temos no Alto dos Pinheiros muros cada vez mais altos, com c\u00e2meras e cercas eletrificadas, marcando o isolamento dos moradores em verdadeiras fortalezas. Queremos o inverso: sair para a rua, fazer festas para ocupar a rua. O projeto dos bols\u00f5es estava inserido nesse ideal, pois o bloqueio das ruas transformaria algumas ruas e pra\u00e7as em verdadeiros centros de lazer e conviv\u00eancia. Um exemplo \u00e9 a pra\u00e7a Conde de Barcellos. Como \u00e9 fechada em uma de suas extremidades, h\u00e1 muitas pessoas andando, correndo e conversando em volta dela.<br \/>\n\u00c9 preciso ressocializar a popula\u00e7\u00e3o para resgatarmos um pouco a vida de bairro em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Dif\u00edcil esse passado m\u00e1gico retornar. Os carros e a viol\u00eancia o tornaram quase uma utopia. Ou talvez nem tanto, porque ainda h\u00e1 a possibilidade de se resgatar um pouco da conviv\u00eancia e amizade que era comum entre os vizinhos, acredita Paulo Bastos. Ali\u00e1s, bons tempos aqueles em que os vizinhos se conheciam, se ajudavam, estabeleciam fortes la\u00e7os de amizade, at\u00e9 de amor. Mas dif\u00edcil ser\u00e1 enfrentar as novas regras de (des) conviv\u00eancia impostas pela modernidade, m\u00eddia e novas tecnologias. Como trazer as pessoas de volta ao espa\u00e7o p\u00fablico?<br \/>\n<\/strong>Vivemos todos como uns an\u00f4nimos, estranhos uns aos outros. Faz parte da aliena\u00e7\u00e3o progressiva das pessoas no relacionamento com a cidade, com grupos de amigos, com a pr\u00f3pria fam\u00edlia. Faz parte das exig\u00eancias da produ\u00e7\u00e3o, competitividade e m\u00eddia. Antes as pessoas se isolavam na frente da TV, hoje os respons\u00e1veis s\u00e3o o computador e a internet.<br \/>\nS\u00f3 que as cidades surgiram como um ponto de encontro. Surgiram entre as rotas de caravanas. Esses n\u00facleos de parada eram albergues, locais ao p\u00e9 do fogo ou uma mesa de taberna onde as pessoas trocavam suas experi\u00eancias de vida. Esse esp\u00edrito, do encontro, \u00e9 fundamental. Ele recupera o aspecto human\u00edstico da cidade.<br \/>\nHoje esse esp\u00edrito aparece em poucos lugares, como a feira ou os clubes. Mas permanecem tamb\u00e9m em algumas pra\u00e7as e podemos trazer de volta ao nosso bairro. Podemos recuperar esse esp\u00edrito e conviv\u00eancia no Alto dos Pinheiros, e manter a rara qualidade de vida que ainda temos.<\/p>\n<p><a title=\"Nosso Bairro\" href=\"http:\/\/saapblog.wordpress.com\/2013\/08\/25\/nosso-bairro\/\">Nosso bairro<\/a><\/p>\n<p><a title=\"Hist\u00f3ria do bairro\" href=\"http:\/\/saapblog.wordpress.com\/2013\/08\/25\/historia-do-bairro\/\">Hist\u00f3ria do bairro <\/a><\/p>\n<p><a title=\"Cia. City\" href=\"http:\/\/saapblog.wordpress.com\/2013\/08\/25\/cia-city\/\">A Cia City<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Paulo Bastos Jornalista Jos\u00e9 Augusto de Aguiar Costa\u00a0 Arquiteto e urbanista de renome paulistano, Paulo Bastos foi morador do Alto dos Pinheiros desde 1972. 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