
{"id":6632,"date":"2022-03-29T23:25:43","date_gmt":"2022-03-30T02:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/?p=6632"},"modified":"2022-03-29T23:26:34","modified_gmt":"2022-03-30T02:26:34","slug":"cenas-no-villa-lobos-festa-no-chateau-livro-de-memorias-traz-alto-dos-pinheiros-como-pano-de-fundo-leia-trechos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/cenas-no-villa-lobos-festa-no-chateau-livro-de-memorias-traz-alto-dos-pinheiros-como-pano-de-fundo-leia-trechos\/","title":{"rendered":"Cenas no Villa-Lobos, festa no ch\u00e2teau&#8230; Livro de mem\u00f3rias traz Alto dos Pinheiros como pano de fundo. Leia trechos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-120\" class=\"size-medium wp-image-120\" src=\"http:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vista-aerea-da-praca-panamericana-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vista-aerea-da-praca-panamericana-300x197.jpg 300w, https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vista-aerea-da-praca-panamericana.jpg 594w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-120\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cia. City<\/p><\/div>\n<p>Um vislumbre do mais puro amor durante um passeio pelo parque Villa-Lobos. O sentimento de gratid\u00e3o que subitamente brota na fila do restaurante do Sesc Pinheiros. A saudade das folhas que se acumulavam pelo jardim de uma bela casa em Alto dos Pinheiros. Em seu <a href=\"https:\/\/saapgestao.com.br\/saapold\/livro\/em-livro-de-memorias-ex-moradora-reune-historias-vividas-em-alto-dos-pinheiros\/\">livro de mem\u00f3rias<\/a>, a psic\u00f3loga e cronista Rosane Luz Buk costura uma s\u00e9rie de lembran\u00e7as vividas em nosso bairro para compor um retrato de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, marcada tanto por alegrias ao lado de filhos e amigos, quanto pela franqueza com que trata de seus embates contra a bipolaridade e a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Veja a seguir alguns dos trechos de \u201cSobre F\u00farias e Musas\u201d que mostram um pouco de Alto dos Pinheiros pelos olhos da autora. A obra est\u00e1 dispon\u00edvel no formato impresso e \u00e9 comercializada atrav\u00e9s do perfil de Rosane no Instagram (@jovemvelhabruxa). H\u00e1 exemplares nas casinhas de livros do bairro.<\/p>\n<p><strong>Amor<\/strong><br \/>\nEntro no Villa-Lobos (o parque, claro, odeio shopping) com a Luna, minha cadela dourada. E um casal estava passando a m\u00e3o nela quando vejo caminhando na minha dire\u00e7\u00e3o um homem que apoiava outra pessoa com o corpo totalmente retorcido.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o homem pegou a m\u00e3o inerte daquela pessoa de cabelo curto e sexo indefinido e passou-a com delicadeza no pelo da cadela. Da\u00ed me esclareceu:<\/p>\n<p>&#8211; Ela \u00e9 minha esposa.<\/p>\n<p>Olhei para aquela mulher maltratada pela doen\u00e7a, para o marido dela e fiquei mais uns minutos ainda na companhia deles, desejei boa tarde e dirigi-me ao interior do parque chorando. Foi uma caminhada triste e feliz ao mesmo tempo. Pensei na dureza da vida, mas, sobretudo, pensei no amor.<\/p>\n<p><strong>T\u00f4 mordida<\/strong><\/p>\n<p>Era s\u00e1bado e eu tinha ido \u00e0 biblioteca do parque Villa-Lobos usar a internet. Levei a Golden e voltava para casa feliz da vida porque eu gosto de andar, gosto da biblioteca e tinha um monte de gostosuras do Santa Luzia, presente da Adriana, me esperando na geladeira. O problema \u00e9 que estou m\u00edope e sem \u00f3culos de grau, portanto s\u00f3 fui ver a maluca e seu cachorro brincando na pra\u00e7a depois que ele avistou a Luna e resolveu se aproximar (suas inten\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tenho a menor ideia). Fiquei dura, gelada. E o cachorro da maluca \u00e9 grande, vira-latas, parece uma vers\u00e3o maior do cachorro do antigo desenho animado branco de olho preto. Lindo, mas claramente com sangue pit bull.<\/p>\n<p>Enquanto ele se aproximava, a maluca fala:<\/p>\n<p>&#8211; Ele \u00e9 bonzinho.<\/p>\n<p>Pensei: bonzinho uma ova, li na rede social que ele mordeu um monte de gente. Mas calei-me, n\u00e3o era hora de tretar com dona de cachorro bravo que traz a fera solta na rua.<\/p>\n<p>A Luna \u00e9 medrosa, se submeteu e ele aplicou-lhe uma mordida e afastou-se um pouco. Mas continuou ali no peda\u00e7o. Como o c\u00e3o n\u00e3o declarou as inten\u00e7\u00f5es e eu sempre tento resolver tudo no di\u00e1logo, falei:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea mordeu minha cadela! Eu ergui a m\u00e3o. Nesse minuto a maluca, de longe, claramente apreensiva, gritou:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o briga! Ele ataca.<\/p>\n<p>A maluca deve ser m\u00e9dium porque o cachorro preparou o bote e avan\u00e7ou. N\u00e3o vi mais patavinas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Retina<\/strong><\/p>\n<p>Ontem fui jantar no Sesc Pinheiros. N\u00e3o \u00e9 o La Tambouille, mas come-se bem por um pre\u00e7o para l\u00e1 de honesto, que cabe no meu bolso. Na fila do penne com berinjela, tem um congestionamento causado por um punhado de indecisos. Engano meu, n\u00e3o eram indecisos. Eram cegos. Demorou uns quatro minutos para cair a minha ficha e perguntar a um mo\u00e7o segurando bengala branca:<\/p>\n<p>&#8211; O senhor precisa de ajuda?<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Agradeci a Deus, aos Orix\u00e1s, \u00e0 natureza e ao acaso pelos meus 100 por cento de vis\u00e3o, originais de f\u00e1brica, ainda que um pouco gastos.<\/p>\n<p>Depois fui ao cinema, na Fradique. Assisti Rei Le\u00e3o e o tal do Gato Chin\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Mago<\/strong><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, depois de alguns anos, a roda da vida girou e a f\u00e1brica que era a menina dos olhos do meu marido tinha que ser fechada. N\u00e3o havia jeito. A abertura de mercado para concorrentes asi\u00e1ticas e europeias feita pelo Collor, nos anos 90, inviabilizava a opera\u00e7\u00e3o. O pai dos meus filhos chegou em casa carregando uma tristeza descomunal, que contaminou a nossa casa inteira.<\/p>\n<p>Estava a fam\u00edlia cada qual no seu canto, quando Tom\u00e1s, que devia ter uns oito ou nove anos na \u00e9poca, falou:<\/p>\n<p>&#8211; Vamos fazer uma festa.<\/p>\n<p>Ele tinha esse registro. Mor\u00e1vamos numa casa t\u00e9rrea e espa\u00e7osa no Alto de Pinheiros que recebia gente para todo tipo de celebra\u00e7\u00e3o a torto e a direito. Era Natal, batizados, anivers\u00e1rios de adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Tom\u00e1s n\u00e3o se fez de rogado, ligou uma m\u00fasica, pegou sua flauta, trouxe pratos e panelas &#8211; uns instrumentos improvisados para os irm\u00e3os pequenos. Eu que s\u00f3 toco campainha comecei a dan\u00e7ar. O pai levantou e apareceu com sua flauta transversa e logo a casa se encheu de m\u00fasica e alegria. N\u00f3s cinco mor\u00e1vamos juntos. E assim foi-se o dia.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Jardim<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o consigo viver sem jardim. Quando casei e mudei para um apartamento na Rua Girassol (era o maior sossego h\u00e1 25 anos), fui ao Ceasa e comprei cinco vasos grandes que entulharam completamente a varanda. Tudo bem, eu via verde pela janela. Dava o maior trabalh\u00e3o limpar as folhas de cada planta uma vez por semana, com uma esponja molhada que, espremida, esguichava um caldo preto e oleoso, resultado da qualidade da maravilhosa gasolina comercializada no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Do apartamento, sa\u00ed para uma verdadeira casa de ricos no Alto de Pinheiros. Nesse meu ch\u00e2teau tinha dois jardins e meio (coisa refinada mesmo). Eu, a rainha da cocada preta, andava \u00e0s voltas com tr\u00eas beb\u00eas. E do jardim, projetado pela c\u00e9lebre paisagista Maring\u00e1, cuidava Seu Manoel, o jardineiro-empres\u00e1rio e sua entourage.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um vislumbre do mais puro amor durante um passeio pelo parque Villa-Lobos. O sentimento de gratid\u00e3o que subitamente brota na fila do restaurante do Sesc Pinheiros. A saudade das folhas que se acumulavam pelo jardim de uma bela casa em Alto dos Pinheiros. 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